A história de Adriele Alexandre, 26 anos, é marcada por desafios profundos, resistência e determinação. Ex-moradora da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, ela carrega uma trajetória atravessada pela violência do Estado e pela luta diária de uma família que precisou recomeçar do zero. Hoje, em Niterói, Adriele transforma sua vivência em inspiração e constrói uma carreira sólida como designer de sobrancelhas e maquiadora profissional, tornando-se referência no segmento da beleza.
Ainda muito jovem, Adriele vivenciou perdas irreparáveis: teve um irmão assassinado pela polícia e uma irmã sequestrada. Após esses episódios traumáticos, sua mãe foi obrigada a vender a casa da família, localizada na Vila Sapê, em Jacarepaguá. Sem alternativas, passaram a morar em um barraco de tábua na Cidade de Deus, enfrentando condições extremas de vulnerabilidade social.
A mudança definitiva veio quando sua mãe conseguiu uma nova oportunidade em Niterói. A família se estabeleceu na cidade há cerca de 24 a 25 anos, e foi nesse território que Adriele encontrou não apenas um lar, mas também o espaço para sonhar e reconstruir sua história.
Foi em Niterói que Adriele iniciou sua formação profissional e deu os primeiros passos no universo da estética. Com dedicação, estudo e sensibilidade, ela se especializou em design de sobrancelhas e maquiagem profissional, áreas nas quais hoje atua com reconhecimento crescente. Seu trabalho vai além da estética: promove autoestima, acolhimento e valorização de mulheres que, assim como ela, carregam histórias de luta.
Atualmente, Adriele constrói sua carreira com identidade própria, sendo exemplo de que talento, persistência e oportunidade podem romper ciclos de exclusão. Sua trajetória representa milhares de jovens mulheres negras e periféricas que transformam dor em potência e seguem abrindo caminhos onde antes só havia obstáculos.
Mais do que uma profissional da beleza, Adriele Alexandre é símbolo de resistência, recomeço e afirmação de que a periferia também produz excelência, inovação e histórias que merecem ser contadas.
