O funk carioca ultrapassou as pistas de dança, os bailes e os morros. Agora, o som das comunidades do Rio de Janeiro está embalando desfiles de moda em Paris, Milão, Londres e Nova York. Com estilo próprio e identidade marcante, o movimento que nasceu na periferia ganha cada vez mais visibilidade no mundo fashion.
Grifes internacionais têm se rendido à estética do funk seja nas batidas presentes nas trilhas sonoras dos desfiles, nos cortes ousados das roupas, ou nas colaborações com artistas e criadores da cena brasileira. A cultura de favela, antes marginalizada, hoje é vista como referência de autenticidade, atitude e criatividade.
Exemplo marcante disso foi o desfile da Louis Vuitton em Paris, em 2023, que usou como trilha a música “Sento no Bico da Glock”, de DJ Gabriel do Borel, MC Lucy e MC Rogê, com performance ao vivo da cantora Rosalía. O desfile uniu luxo e batida de favela, mostrando o poder do funk nas passarelas.
Outras marcas que já incorporaram o funk carioca em suas criações incluem a Isabel Marant, que trouxe clássicos da Furacão 2000 e Deize Tigrona em seu desfile de 2017; a Jacquemus, que utilizou funks proibidões como trilha; e até colaborações entre marcas como Kenner e Funk It Wear, que marcaram presença na New York Fashion Week com looks inspirados na estética do baile.
A presença do funk nas passarelas é mais do que tendência: é reconhecimento. Estilistas se inspiram nas cores, nos cortes de cabelo, na atitude dos dançarinos e até nos figurinos usados nos bailes. A cultura de favela, autêntica e irreverente, virou símbolo de inovação.
Do Complexo da Maré à Semana de Moda de Paris, o funk mostra que é muito mais do que música. É comportamento, é arte, é moda e é também resistência.
O Cria do Rio segue acompanhando esse movimento que está colocando o som das quebradas nos holofotes do mundo.
Autor: Lucas Moscarde
