Direitos humanos fazem parte da vida cotidiana. Ter acesso à educação e à saúde, trabalhar, circular pela cidade, viver em segurança e participar das decisões políticas são direitos que devem ser garantidos a todos.
Para milhares de crianças e jovens do Rio, porém, o acesso a alguns desses direitos é afetado pela violência.
Violência interfere no direito à educação
O relatório Educação Sob Cerco, produzido pelo UNICEF, Instituto Fogo Cruzado, GENI/UFF e CERES-IESP, mostrou que 55% dos estudantes da cidade do Rio estão expostos à violência armada. Nos 19 municípios do Grande Rio analisados, são 51%.
Outro levantamento do UNICEF, Fogo Cruzado e GENI/UFF mostrou que 188.694 crianças e adolescentes da rede municipal tiveram seus trajetos entre casa e escola afetados por interrupções no transporte relacionadas à violência armada, entre janeiro de 2023 e julho de 2025.
Os dados mostram como diferentes direitos se relacionam: um confronto pode afetar o transporte e impedir um estudante de chegar à escola. Garantir segurança também é garantir o direito à educação.
Moradores querem segurança, mas questionam o modelo
Uma pesquisa realizada com 4.080 moradores dos complexos do Alemão e da Penha, da Maré e da Rocinha mostrou que 92% reprovam o modelo atual das operações policiais realizadas nesses territórios. Outros 73% afirmaram não concordar com o atual tipo de operação.
Na Maré, o projeto De Olho na Maré registrou 231 operações policiais entre 2016 e 2025, com 160 mortes e 1.538 ocorrências classificadas como violências e violações de direitos.
Os números não significam que moradores não queiram segurança. Colocam em discussão como a política de segurança é realizada e quais consequências produz para a população.
Segurança pública também é uma questão de direitos humanos. Moradores têm direito a viver em segurança, assim como profissionais da área têm direito à vida, à integridade e a condições dignas de trabalho.
Direitos humanos são direitos de todos
Direitos humanos não existem para proteger apenas determinados grupos. São garantias básicas que devem valer para todas as pessoas.
Quando um jovem frequenta uma escola pública, utiliza o SUS, circula pela cidade ou procura proteção do Estado, há direitos envolvidos.
Mas reconhecer um direito na lei não garante que ele chegue à população. São necessárias políticas públicas, orçamento e serviços funcionando. É nesse ponto que os direitos humanos também se relacionam com política.
O que as eleições de 2026 têm a ver com isso?
Neste ano, os eleitores do Rio escolherão presidente, governador, senadores, deputados federais e estaduais. No Estado do Rio, áreas como segurança pública e educação estadual estão entre as responsabilidades do governo estadual. Já os deputados estaduais votam leis, fiscalizam o Executivo e participam da aprovação do orçamento para políticas públicas.
Essas decisões chegam ao cotidiano por meio da escola, do transporte, da segurança, da saúde e de outros serviços.
Por isso, em um ano eleitoral, discutir direitos humanos também significa observar quais propostas existem para garantir esses direitos e como elas chegarão aos diferentes territórios.
Jovens também participam das escolhas
Participar da política também é um direito humano. No Brasil, jovens de 16 e 17 anos podem votar de forma facultativa. A partir dos 18, o voto é obrigatório.
Essa participação não termina nas urnas. Jovens também podem acompanhar representantes, participar de audiências públicas, conselhos, associações e outras organizações.
Os dados sobre violência e educação mostram que decisões políticas interferem diretamente na garantia de direitos.
Estudar, trabalhar, circular pela cidade, ter acesso à saúde, viver em segurança e participar das decisões públicas não são favores. São direitos humanos e garanti-los é responsabilidade do poder público.
Este conteúdo foi produzido com apoio do Programa Orire de Apoio às Mídias Independentes 2026, iniciativa do Instituto Orire voltada ao fortalecimento do jornalismo independente e da produção de informação de interesse público.
