No país onde o racismo estrutura até o olhar das máquinas, jovens negros continuam sendo presos injustamente por causa de reconhecimentos faciais falhos, sem base legal e sem provas reais. A tecnologia que prometia segurança virou mais uma ferramenta de exclusão.
Nos últimos anos, diversos casos mostraram o perigo de sistemas de reconhecimento facial usados por polícias sem critérios. Em comum, quase todos os acusados errados tinham a mesma cor de pele. Não havia flagrante, nem investigação aprofundada apenas uma “foto parecida” indicada por uma câmera.
Esses erros não são acidentais. Estudos mostram que os algoritmos erram até 100 vezes mais com rostos negros do que com rostos brancos. Isso acontece porque a maioria dessas tecnologias foi criada e treinada com imagens de pessoas brancas, reforçando o viés racial.
Enquanto isso, famílias de jovens negros vivem o trauma de provar inocências que nunca deveriam ter sido questionadas. Em vez de justiça, recebem a frieza de um sistema que confunde “semelhança” com verdade.
No Brasil, onde a desigualdade racial já é marca histórica, o uso do reconhecimento facial sem controle e transparência coloca em risco vidas inteiras. São câmeras que dizem enxergar, mas não veem. São políticas de segurança que não protegem apenas reproduzem o olhar seletivo que o racismo sempre teve.
⚠️ Segurança não pode ser sinônimo de vigilância racial.
Enquanto o Estado insistir em usar tecnologia sem responsabilidade, continuará capturando o que sempre capturou: a cor da pele, e não a verdade.
Imagem: Reprodução/Olhar digital
