O que por horas pareceu mais uma tragédia nas estradas revelou-se um crime brutal que escancara uma realidade que o Brasil ainda insiste em não enfrentar com a urgência necessária: mulheres continuam sendo mortas por quem dizia amá-las.
O caso, tratado inicialmente como acidente, foi desvendado pela investigação e trouxe à tona um feminicídio marcado por tentativa de encobrir a verdade. Mais uma vida interrompida. Mais uma família destruída. Mais uma mulher que não teve a chance de continuar sua própria história.
Feminicídio não começa no último ato de violência. Ele nasce no controle excessivo, no ciúme doentio, nas ameaças veladas, no isolamento, na humilhação diária que muitas vezes é naturalizada como “problema de casal”. A violência contra a mulher é construída em silêncio e é nesse silêncio que ela cresce.
Precisamos falar sobre isso. Precisamos agir sobre isso. Precisamos proteger antes que seja tarde.
Cada caso como esse é um alerta para a sociedade, para vizinhos, amigos, familiares e para o poder público. Não é “briga de marido e mulher”. Não é “vida privada”. Quando uma mulher sofre violência, toda a sociedade falha se escolhe não enxergar.
Defender a vida das mulheres é defender a vida como um todo. É lutar por relações baseadas em respeito, dignidade e segurança. É fortalecer políticas públicas, redes de apoio e canais de denúncia. É ensinar desde cedo que amor não machuca, não controla e não ameaça.
Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, procure ajuda. No Brasil, a Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas pelo número 180. Denunciar pode salvar uma vida.
Não podemos devolver as vidas perdidas. Mas podemos e devemos impedir as próximas.
