A máxima “a violência vem da favela” acabou de ganhar um belo golpe de realidade e ironia. Durante uma operação contra o tráfico de armas e drogas, a Polícia Civil do Rio de Janeiro descobriu um verdadeiro arsenal em uma mansão no condomínio Novo Leblon, na nobre Barra da Tijuca. Isso mesmo: não foi no Complexo do Alemão, nem na Cidade de Deus. Foi entre os condomínios com quadras de tênis, academia de crossfit e vista pro mar.
Segundo a reportagem do Diário do Rio, o imóvel era utilizado como ponto estratégico pelo Comando Vermelho para armazenar armamento pesado, munição e drogas. A operação foi deflagrada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e expôs o que muitos já sabem, mas poucos dizem: o tráfico não está só na favela, ele circula bem vestido, dirige SUV blindada e adora ar-condicionado.
A residência de alto padrão tinha itens que fariam inveja a muito batalhão: fuzis, pistolas, munições de vários calibres, coletes balísticos e drogas embaladas prontas para distribuição. Tudo isso dentro de um dos endereços mais caros da cidade, longe das vielas e dos becos que costumam ilustrar reportagens sensacionalistas.
A operação segue em andamento, mas uma coisa já ficou clara: o crime é mais democrático do que parece. E enquanto o noticiário insiste em apontar os dedos para a favela, tem gente armando esquema em coberturas com vista pra lagoa.
Porque, no fim das contas, o problema nunca foi o lugar mas quem realmente tem o poder (e a grana) pra bancar esse tipo de negócio.
