O Centro do Rio de Janeiro foi palco de uma tarde marcada por cultura, acolhimento e transformação social. Cerca de 40 pessoas em situação de rua, atualmente acolhidas em abrigos da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio, participaram de uma sessão especial de cinema na Biblioteca Parque Estadual.
A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Cineclube Zezé Motta, vinculado à Secretaria de Estado de Cultura, e o projeto Super-Ação, liderado pelo escritor Leo Motta.
A trajetória de Leo Motta é um dos principais símbolos da potência dessa ação. Ex-morador em situação de rua, hoje ele utiliza a arte e a literatura como ferramentas de transformação social. Autor de três livros, também é coordenador da revista Da Calçada, considerada a primeira publicação de poesia produzida por pessoas em situação de rua no Brasil.
O que começou como uma ação pontual, há cerca de dois anos, agora se consolida como política de acesso à cultura. A partir deste momento, a ocupação cultural na Biblioteca Parque Estadual passa a integrar uma agenda fixa mensal, ampliando o alcance da iniciativa e fortalecendo vínculos com o público atendido.
“Essa ação vai além do entretenimento; trata-se de ocupar espaços públicos e devolver o sentimento de pertencimento a quem muitas vezes é invisibilizado pela sociedade”, destaca Leo Motta.
A proposta vai além da exibição de filmes: busca promover reflexão, acesso à arte e, principalmente, reafirmar o direito à cidade e à cultura para populações em vulnerabilidade.
Serviço da ação:
Local: Biblioteca Parque Estadual (Centro do Rio)
Público: Pessoas em situação de rua acolhidas pela rede municipal
Frequência: Mensal
Objetivo: Democratizar o acesso à cultura e estimular o pensamento crítico por meio do cinema e da literatura
A iniciativa reforça o papel da cultura como instrumento essencial na reconstrução de trajetórias e na garantia de direitos, mostrando que ocupar espaços também é um ato de resistência e cidadania.
