O estado do Rio de Janeiro aparece como o terceiro do Brasil com o maior número absoluto de jovens assassinados de forma violenta, segundo dados divulgados pelo novo Atlas da Violência. O levantamento reacende o debate sobre segurança pública, desigualdade social e a perda precoce de milhares de vidas nas periferias fluminenses.
Somente em 2024, o estado registrou 1.714 mortes violentas de jovens entre 15 e 29 anos. O número coloca o Rio atrás apenas da Bahia e de Pernambuco no ranking nacional de letalidade juvenil.
Entre os casos que simbolizam a tragédia está o do professor de Educação Física Luís Felipe, de 27 anos, morto a tiros durante um assalto no Aterro do Flamengo. A mãe do jovem, Antônia Divânia, desabafou sobre a dor de ver o filho se tornar “apenas mais um número” nas estatísticas da violência.
Apesar do cenário alarmante, o levantamento também aponta que o Rio apresentou a maior redução absoluta no total de homicídios do país entre 2023 e 2024. Segundo o pesquisador Daniel Cerqueira, a diminuição estaria relacionada à mudança no perfil da criminalidade, cada vez mais voltada para disputas de controle territorial armado e extorsões, reduzindo confrontos diretos.
Mesmo com a queda nos índices gerais, a taxa estadual ainda permanece acima da média nacional, registrando 20,4 mortes para cada 100 mil habitantes.
O estudo também chama atenção para os chamados “homicídios ocultos”, que são mortes violentas sem classificação oficial como assassinato. Apenas em 2024, o Rio de Janeiro contabilizou 682 casos de mortes violentas com causa indeterminada, evidenciando falhas na investigação e no compartilhamento de informações entre órgãos públicos.
Especialistas alertam que os números revelam não apenas estatísticas, mas histórias interrompidas, famílias destruídas e uma juventude marcada pela insegurança. Nas comunidades e periferias, o impacto da violência continua atravessando gerações e limitando oportunidades para milhares de jovens.
